Licença Sem Vencimento em Portugal: Como Funciona
A licença sem vencimento é uma opção que permite ao trabalhador ausentar-se do trabalho durante um determinado período, sem receber salário, mantendo o vínculo com a empresa.
Esta modalidade está prevista na lei laboral portuguesa e pode ser utilizada por diversos motivos, como formação, projetos pessoais ou necessidades familiares.
Neste guia explicamos o que é a licença sem vencimento, quem tem direito e quais os seus efeitos no contrato de trabalho.
O que é a Licença Sem Vencimento em Portugal?
A licença sem vencimento, prevista no artigo 317.º do Código do Trabalho português (também designada por licença sem retribuição), é um período durante o qual o trabalhador:
- não presta trabalho;
- não recebe remuneração;
- mantém o contrato de trabalho ativo.
Na prática, trata-se de uma pausa na relação laboral, normalmente acordada entre o trabalhador e o empregador.
Leia também: Guia Informativo sobre Férias, Faltas e Licenças em Portugal.

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Quem tem Direito à Licença Sem Vencimento em Portugal?
Apesar de depender normalmente da aprovação do empregador, existem situações em que o trabalhador tem direito à licença sem vencimento.
Isso acontece quando a licença:
- tem duração superior a 60 dias;
- destina-se à frequência de formação ou ensino.
Inclui, por exemplo:
- cursos em instituições de ensino;
- formação profissional certificada;
- programas reconhecidos por entidades competentes.
Nestes casos, a lei protege o trabalhador e limita a possibilidade de recusa por parte do empregador.
Em Portugal, o Empregador Pode Recusar a Licença Sem Vencimento?
Sim, mesmo nos casos em que existe direito à licença para formação, o empregador pode recusar em situações específicas.
A recusa pode acontecer quando:
- o trabalhador tem menos de 3 anos de antiguidade;
- já beneficiou de formação ou licença semelhante nos últimos 24 meses;
- o pedido não foi feito com pelo menos 90 dias de antecedência;
- a empresa não consegue substituir o trabalhador (especialmente em micro ou pequenas empresas);
- o trabalhador ocupa uma função crítica (chefia ou posição qualificada) e a sua ausência prejudica a atividade.
Estas exceções existem para garantir o equilíbrio entre o direito do trabalhador e as necessidades da empresa.
Quais são os Efeitos da Licença Sem Vencimento em Portugal?
Em Portugal, durante a licença sem vencimento, o contrato de trabalho mantém-se ativo, mas com efeitos suspensos. Isto significa que o trabalhador continua vinculado à empresa, embora deixem de se aplicar temporariamente os direitos e deveres associados à prestação efetiva de trabalho, como o pagamento do salário.
Apesar dessa suspensão, há um aspeto importante a considerar: este período conta para a antiguidade. Ou seja, o trabalhador não perde tempo de serviço, o que pode ter impacto em direitos futuros, como progressões na carreira ou cálculo de indemnizações.
No regresso, o trabalhador retoma as suas funções habituais na data acordada, com todos os direitos e deveres restabelecidos, incluindo a remuneração. Se o empregador impedir esse regresso, estará a cometer uma infração grave à lei laboral.
Quanto às férias, durante a licença sem vencimento não há acumulação de dias. No entanto, após o regresso, o trabalhador tem direito a férias e aos respetivos subsídios (férias e Natal) de forma proporcional ao período efetivamente trabalhado nesse ano.
Como Funciona a Licença Sem Vencimento na Função Pública em Portugal?
Na função pública, a licença sem vencimento segue regras semelhantes às do setor privado, mas com algumas diferenças importantes. Está prevista na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (artigos 280.º a 283.º).
Tal como no setor privado, o trabalhador pode pedir licença sem remuneração, ficando o vínculo suspenso durante esse período. Esta licença pode ser utilizada, por exemplo, para frequentar cursos de formação, tanto no setor público como no privado.
No entanto, na função pública, existem situações adicionais específicas em que a licença pode ser concedida, como:
- acompanhamento do cônjuge colocado no estrangeiro;
- exercício de funções em organismos internacionais;
- situações de interesse público relevante.
Nestes casos, o trabalhador da função pública pode manter alguns direitos, nomeadamente:
- a contagem do tempo para efeitos de antiguidade;
- a possibilidade de continuar a descontar para a ADSE ou outro subsistema de saúde;
- maior garantia de regresso a um posto de trabalho após a licença.
Já nos restantes casos:
- o período não conta para efeitos de antiguidade;
- o regresso ao trabalho pode depender da existência de vaga, podendo o trabalhador ter de aguardar ou candidatar-se a outro posto na administração pública.
Como Gerir Licenças Sem Vencimento de Forma Eficiente
Gerir pedidos de licença sem vencimento pode tornar-se rapidamente complexo, especialmente em empresas com várias equipas, turnos ou funções críticas. Entre aprovações, controlo de prazos e impacto nas férias e na antiguidade, há vários fatores que precisam de ser acompanhados com rigor.
É aqui que um software de gestão de férias e licenças pode fazer a diferença. Estas ferramentas permitem centralizar todos os pedidos de ausência num único sistema, garantindo maior transparência e menos erros administrativos.
Na prática, permitem:
- Submeter e aprovar pedidos de licença de forma simples e rápida;
- Ter visibilidade total sobre ausências da equipa;
- Evitar conflitos de agenda e falhas de planeamento;
- Manter registos organizados para efeitos legais e de auditoria:
Além disso, ajudam a assegurar que a empresa cumpre a legislação laboral, ao mesmo tempo que simplificam a gestão do dia a dia.
Num contexto em que a flexibilidade laboral é cada vez mais valorizada, contar com ferramentas digitais não é apenas uma vantagem – é uma necessidade para uma gestão de recursos humanos mais eficiente e sem complicações.
Nota de Advertência Importante
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